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Pela alteração do PL 2663 de 03/12/2003 para que conste o termo "CONTÉM LEITE E/OU TRAÇOS DE LEITE" ao invés de "CONTÉM LACTOSE".

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

História da Clara

Clara é minha filha mais velha, nasceu em dez de 2002, de cesárea. Não tive quaisquer problemas com amamentação e ela foi um bebê exemplar nos 6 primeiros meses, época em que foi amamentada exclusivamente.

Dobrou o peso do nascimento com apenas 2 meses, nunca teve cólicas, nunca teve nada, apenas golfadas, e de vez em quando, um vômito. Era a chamada "golfadora feliz", uma vez que nunca teve qualquer irritação e sempre teve extraordinário ganho de peso.

Com 6 meses, iniciou alimentação complementar sem problemas (apenas não gostava muito das coisas, mas nunca teve nenhuma reação aparente, com exceção do tomate, que dava uma assadura absurda).

Com 6 meses também iniciaram os problemas respiratórios, com muita secreção tanto na parte alta, como na baixa. Era um bebê chiador.

Sempre teve dermatite atrás das orelhas (embora apenas descamava, nunca chegou a abrir) e o pediatra achava tudo normal.

Com 8 meses e meio teve sua primeira pneumonia e aos 11 meses a segunda. Crises de asma recorrentes, desde então.

Com 1 ano e 4 meses parou de mamar no peito e recusava o leite de vaca. Após eu muito insistir começou a aceitar.

Com 1 ano e meio teve sua terceira pneumonia.

Veio então a primeira suspeita de alergia a leite de vaca, foi feito apenas o exame de alfa 1, levemente alterado, e outro pediatra recomendou apenas a substituição do LV pelo leite de soja - soymilke. Não fez qualquer recomendação sobre os derivados, ingredientes traços etc.

Continuava com as crises recorrentes de asma e infecções respiratórias de repetição, tomando muito ATB em pouco intervalo de tempo.

Com 1 ano e 9 meses, procurei uma pneumologista que indicou tratamento para rinite e asma com seretide e plurair, desconfiou de refluxo oculto (chegamos a fazer ultrasson e deram 3 refluxos em 10 minutos) e diante do histórico familiar de alergia a leite, fomos encaminhadas para a gastropediatra.

Após ouvir toda a história, a gastro chegou às seguintes conclusões:

- Embora o ultrasson não diagnostique o refluxo, era fato que ela refluía (não diagnostica, pois pode ser apenas fisiológico). As infecções respiratórias de repetição, 3 pneumonias em curto intervalo, localização da secreção nos pulmões podiam estar ligados diretamente ao refluxo sim.

- Então, ela partiu para a prova terapêutica, e iniciou o tratamento com motilium e label. Após o início do tratamento, ela começou a dormir a noite toda, coisa que nunca tinha feito.

- Sobre a alergia, havia suspeita em razão do quadro clínico e também do histórico familiar. Os exames de sangue apontaram ige total muito alta, ige específica classe II para LV e clara de ovo e classe I para soja, valores alterados de alergia retardada e aumento de eosinófilos no hemograma.

- O quadro clínico e os exames eram compatíveis com esofagite eosinofílica. Não foi feita a endoscopia, em razão de ser muito invasivo e a conduta não seria alterada.

- Continuou com o uso do corticóide inalado, remédios para refluxo, e iniciou dieta de LV, soja, ovo, cítricos, carne vermelha, coco, oleaginosas, amendoim, chocolate, coco e tomate.

- Passou para o pregomin (usou apenas 2 latas e depois passou a receber suco de frutas apenas).

- Iniciou complementação de cálcio.

Após pouco mais de 1 ano de dieta, nas férias e no verão, já suspensa a medicação para refluxo fizemos a reintrodução com aparente sucesso, com nan sem lactose, depois leites de baixa lactose.

Era um custo, pois ela recusava o leite e até hoje odeia leite.

Foi retirando aos poucos os corticóides inalados, usou ainda direto no inverno seguinte e no outro singulair e apenas nas crises. No ano passado não usou nada no inverno.

As crises de asma sumiram de vez aos 4 anos, a rinite foi ficando mais controlada, teve apenas uma complicação aos 5 anos, há mais de 1 ano.

O que sobrou disso tudo?

- a eterna dermatite atrás das orelhas (apenas descamação);
- recusa em consumir leite e derivados;
- alteração intestinal quando consome algo com leite como sorvete (uma das poucas coisas que come).

No ano passado teve suspeita de dengue e eu aproveite para incluir nos exames as dosagens de ige. O ige total deu aumentado (bem menos do que já tinha sido), negativo para soja, classe I para LV e clara de ovo.

Eu na minha santa ignorância achei que aquilo era um marcador para sempre no exame. Comentando com a gastro é que descobri que não, que se ainda estavam positivos (e não eram falsos positivos, pois foram confirmados com a dieta), ela ainda tinha alergia.

Estava adiando a consulta de revisão, mas o fato de a Clara ter quebrado 2 dentes molares de leite no último mês me fez ficar com pânico da falta de cálcio, uma vez que ela recebeu suplementação apenas na época da dieta e depois por algumas vezes isoladas.

Então, fomos à consulta de revisão. Ela acha que a quebra dos dentes pode estar relacionada à falta de cálcio, e acha que ainda pode haver uma alergia alimentar sim, pois as alergias mediadas demoram mais a serem curadas e a recusa em tomar leite e derivados pode ser um sintoma, além da dermatite eterna.

Pediu exames de sangue (hemograma, dosagem de ige, igg e iga, ige's específicos, dosagem de cálcio, fósforo e fosfatase alcalina e pediu marcadores de doença celíaca: anticorpos antigliadina, antiendomísio e antitransglutaminase), além da bateria de fezes. Os marcadores de doença celíaca foram pedidos em razão da hipoplasia do esmalte.

Fazer e retornar. Não fazer qualquer alteração na dieta, por enquanto.

Ela está com 6 anos e meio, 1,20 e 20 quilos. Ah, e passou complemento de cálcio para tomar direto enquanto não consumir leite e derivados.

1 comentários:

Sandra Maria disse...

Incrivel, tenho uma filha de 1 ano e 10 meses, com extamente o mesmo quadro clinico.