Assinem nossa petição online!

Pela alteração do PL 2663 de 03/12/2003 para que conste o termo "CONTÉM LEITE E/OU TRAÇOS DE LEITE" ao invés de "CONTÉM LACTOSE".

Veja aqui o post. Assine aqui a petição. Divulgue!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Informações sobre técnica de relactação (com sonda)


Recomendo a leitura desse tópico no Grupo Virtual de Amamentação sobre relactação e translactação.

A relactação pode ser com auxílio de: mamadeira, copinho ou seringa. O que for mais conveniente para vocês.


Passo a passo

1) Adquirir a sonda:

Comprem em farmácia sonda nasográstrica numero 4 ou 5. ÀS vezes só é encontrada em farmácias que vendem material hospitalar.

Comprem várias sondas, pois pode ser melhor descarta-las apos uso pois é difícil de lavá-las bem (mas é possível ser esterilizada em água fervente cada vez que for usada). Essas sondas nada mais são do que tubinhos fininhos.


2) Preparações:

Coloquem o leite artificial ou materno extraido com auxilio de bomba ou manualmente no recipiente escolhido (seringa, copo ou mamadeira).

Coloquem uma ponta da sonda no recipiente e a outra deve ser presa ao seio, com sua extremidade perto do mamilo (pode usar um esparadrapo, micropore para tal). A ponta que fica no peito tem que ficar bem na auréola.

Tentem colocar o recipiente com o leite num local próximo e acima do nível do peito, para que a ação da gravidade facilite o fluxo do leite, e de preferencia numa superfície firme para evitar que caia no chão. Nas primeiras tentativas vale a pena pedir ajuda de outra pessoa que segure o recipiente com o leite.

É possível cortar a sonda em pedaços menores (10 cm) quando já estiver habituada, deixando a mamadeira mais próxima do peito.

3) Iniciando:

Ponham o bebê no seio para mamar. A criança sugará o mamilo e a sonda ao mesmo tempo e, à medida que se alimenta, também estimula a produção do leite materno. A altura em que é colocado o leite e a força de sucção da criança determinam a velocidade de ingestão. O fluxo é controlado ao se dobrar um pouco a sonda.

Desse modo o bebê começa a associar o peito com alimento (evitando ou restringindo o uso da mamadeira que pode levar à um desmame precoce por confusão de bicos ou por desinteresse do bebê no peito pela facilidade de fluxo de leite que existe na mamadeira).

Se o bebê estiver recusando o seio, pingue leite sobre o seio para que ele queira sugar.


4) Quanto tempo preciso usar esse sistema?

O tempo para que a produção de leite pela mãe aumente é de no mínimo uma semana, requer paciência e persistência para se obter sucesso. O leite ministrado pela sonda é o que a criança estava usando e, na medida do aumento de produção pela mãe, este é restringido progressivamente.

5) Que mais posso fazer para aumentar minha produção de leite?

- A sucção do bebê é a mais poderosa que existe, então amamente em livre demanda, mesmo sem a sonda, sempre que puder.

- Utilizem uma bomba elétrica de boa qualidade e expresse seu leite também sempre que possível. A ordenha manual bem feita é igualmente eficiente.

- Descarte o uso de qualquer bico artificial: mamadeira (o objetivo dessa técnica é também restringir seu uso até eliminar totalmente), e não ofereça chupetas ao seu bebê.

- Carregue seu bebê num sling, sempre que possível. Sentir o cheiro da mamãe acalma o bebê e o incentiva a sugar.

- Descanse quando puder, tire sonecas quando o bebê também o fizer. Durma perto de seu bebê (tomando precauções para prática da cama compartilhada). Pesquisas mostram que cama familiar pode ajudar no estabelecimento da amamentação.




Na foto acima temos o kit de relactação da medela que pode ser comprado pronto. Mas como vimos, é simples e fácil fazer seu próprio kit.

Nos casos de alergia alimentar, a amamentação com dieta de exclusão da mãe é sempre a primeira opção.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Boas notícias

Bom, Isabela esteve meio gripada, vomitou e ficou febril. Fui à pediatra e em 1 mês ela engordou 550 g e cresceu 3 cm. E assim está recuperando a curva que tinha caído após 1 ano.

A pedi acha que é a recuperação da anemia (já temos 4 meses de tratamento - mas ela não tolerou o ferro diariamente, está tomando dia sim, dia não) e sucesso da restrição alimentar (e olha que teve escapada).

Ela preferiu manter o cronograma da gastro e só repetir bateria de exames de fezes com 1 ano e 9 meses (exatamente 6 meses após o último que tinha voltado a ficar alterado - alfa 1 e sangue oculto positivo).

Se o exame de 1 ano e 9 meses der normal, manteremos a dieta até 2 anos e 3 meses e repetimos os exames. Se der normal de novo, aí pensamos em reintrodução.

A dermatite ela acha que é atópica, assim como a dermatologista, e não reflexo da alergia alimentar. E por indicação da dermato, a dermatite melhorou muito com dermodex prevent, que ela pediu para passar diariamente durante todo o inverno (engraçado que não uso nenhum tipo de pomada na troca de fraldas). O desonol continua indicado somente para qdo sangrar e por no máximo 3 dias.

Aqui, uma foto da dermatite um pouco atacada. Chega a ficar pior, com fendas e sangramento.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Segunda Blogagem Coletiva – “Em Defesa Da Infância” 2009


O Blog Diga Não À Erotização Infantil está promovendo a segunda blogagem coletiva “Em Defesa da Infância”, dias 18 e 25 de maio de 2009.

Mais uma vez, estamos participando.

Dia 18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Foi instituído pela Lei 9.970. A idéia surgiu em 1998 quando cerca de 80 entidades públicas e privadas, reuniram-se na Bahia para o 1º Encontro do Ecpat no Brasil. Organizado pelo CEDECA/BA, representante oficial da organização internacional que luta pelo fim da exploração sexual e comercial de crianças, pornografia e tráfico para fins sexuais, surgida na Tailândia, o evento reuniu entidades de todo o país. Foi nesse encontro que surgiu a idéia de criação de um Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil.

Foi escolhido o 18 de maio em homenagem à menina Araceli. Seqüestrada em 18 de maio de 1973, Araceli Cabrera Sanches, então com oito anos, foi drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba. Muita gente acompanhou o desenrolar do caso, desde o momento em que Araceli entrou no carro dos assassinos até o aparecimento de seu corpo, desfigurado pelo ácido, em uma movimentada rua da cidade de Vitória. Poucos, entretanto, foram capazes de denunciar o acontecido. O silêncio da sociedade capixaba acabaria por decretar a impunidade dos criminosos.

Dia 25 de maio é o Dia Internacional Das Crianças Desaparecidas. A data refere-se ao dia do rapto do menino americano Etan Patz, em 1979. Etan tinha seis anos e jamais foi encontrado. Em 1983, os EUA reconheceram a data. Na Europa a data foi introduzida pela ONG Child Focus, após o caso Marc Dutroux, belga que raptou, estuprou e matou seis meninas. No Brasil o símbolo maior da luta pelas crianças desaparecidas é Arlete Caramês, mãe de Gulherme, desaparecido desde 17 de junho de 1991.


“A criança é o princípio sem fim. O fim da criança é o princípio do fim. Quando uma sociedade deixa matar as crianças é porque começou seu suicídio como sociedade. Quando não as ama é porque deixou de se reconhecer como humanidade.

Afinal, a criança é o que fui em mim e em meus filhos enquanto eu e humanidade. Ela, como princípio, é a promessa de tudo. É minha obra livre de mim.

Se não vejo na criança, uma criança, é porque alguém a violentou antes, e o que vejo é o que sobrou de tudo que lhe foi tirado. Diante dela, o mundo deveria parar para começar um novo encontro, porque a criança é o princípio sem fim e seu fim é o fim de todos nós.”

Herbert de Sousa (BETINHO) -Sociólogo

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Eu apoio


Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento 2009:
a gente apóia essa idéia!


EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS

Por uma nova forma de gestar, parir e nascer!


De 11 a 17 de maio diversos países estarão comemorando a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento (SMRN). Para marcar a data no Brasil, a Rede Parto do Princípio realiza uma exposição nacional com fotos em preto e branco de mulheres brasileiras no momento do nascimento de seus filhos. A exposição acontece simultaneamente em várias cidades do país e tem como objetivo incentivar o vínculo afetivo entre mãe e filho, a amamentação na primeira hora de vida e o parto humanizado. Em alguns municípios a exposição começa mais cedo, em comemoração ao Dia das Mães ou estende-se por mais tempo. (Confira abaixo a relação de locais e datas).

A Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento, iniciativa da Associação Francófona pelo Parto Respeitoso ("Alliance Francophone pour l'Accouchement Respecté") é celebrada anualmente, desde 2004, durante o mês de maio em diversos países.

Este ano, a campanha aborda O aumento da taxa de cesarianas no mundo com o slogan Diga não à cesárea desnecessária!

A Parto do Princípio é uma rede de mulheres, consumidoras e usuárias do sistema de saúde brasileiro, que oferece informações sobre gestação, parto e nascimento baseadas em evidências científicas e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Conta hoje com mais de 300 pessoas trabalhando voluntariamente, em 16 estados e no Distrito Federal, na divulgação dos benefícios do parto ativo.

Para a Parto do Princípio, a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento é uma ocasião para reafirmar publicamente que a reprodução humana é um fato social em primeiro lugar; que a mudança é possível e que nunca é tarde para que os profissionais e os estabelecimentos médicos revejam suas práticas.

Para a realização da Exposição, a Rede contou com o apoio do Guia do Bebê.

Os riscos da cesariana

No Brasil, 79,7% dos partos no setor privado1 são cesarianas, em sua maioria eletivas – realizadas antes do trabalho de parto – o que claramente revela o desconhecimento da população acerca dos riscos intrínsecos à realização desta cirurgia.

Mesmo no setor público, as taxas 27,5% de cesariana atingem praticamente o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de 15%. Entretanto, este excesso de cirurgias cesarianas não reflete em melhores resultados maternos e neonatais, visto que o Brasil, desde a inclusão da “cultura da cesárea” não apresenta redução nos seus altos índices de mortalidade materna (75 mulheres a cada 100 mil nascido vivos), segundo a conceituação da OMS (que aceita um índice de 20 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos).

É necessário que a sociedade se mobilize divulgando ações e disseminando informações acerca deste tema, para que nossas mulheres e crianças não sejam submetidas a riscos aumentados – na maioria das vezes, desnecessários – em um momento que deveria ser de tranquilidade, intimidade e segurança.

ALGUNS RISCOS DA CESARIANA

Para a Mãe

  • Maior risco de Morte Materna em decorrência da cirurgia (2,8% maior na cesariana eletiva quando comparada ao parto vaginal)

  • Maior risco de Histerectomia – retirada dos órgãos reprodutivos

  • Maior probabilidade de Internação Prolongada

  • Maior chance de desenvolver Infecção

  • Risco aumentado de Depressão Pós-Parto

  • Dor generalizada ou no local da cirurgia

  • Risco de criação de Coágulos Sanguíneos e Trombose

  • Corte Cirúrgico Acidental em outros órgãos

  • Obstrução Intestinal

Para o Bebê

  • Contato Tardio com a mãe

  • Corte Cirúrgico acidental

  • Maior probabilidade de Fracasso no Aleitamento Materno

  • Maior dificuldade para estabelecer o Vínculo Afetivo

  • Desconforto Respiratório por iatrogenia – interferência médica no processo natural

  • Maior possibilidade de desenvolver Asma

Para Gestações Futuras

  • Aumento das taxas de Infertilidade

  • Maior possibilidade de Gravidez Ectópica

  • Maior possibilidade de Placenta Prévia

  • Riscos aumentados de Ruptura Uterina

  • Dor abdominal decorrente de Aderências – outros órgãos aderem à cicatriz cirúrgica

  • Descolamento Prematuro de placenta


Veja abaixo os locais das exposições já confirmadas:

Bauru – SP

Contato: Celma – (14) 3011-0077 celmapsid@ig.com.br
SENAC - a partir de 13 de maio

Belém - PA
Contato: Thayssa (91) 8884.0209 – thayssa.rocha@partodoprincipio.com.br
Laboratório Beneficente de Belém www.lbb.com.br – de 11 a 16 de maio (exposição de fotos)
Restaurante D. Giuseppe – de 08 a 16 de maio (exposição virtual de fotos)
Praça Batista Campos – 17 de maio (exposição de fotos e caminhada de encerramento às 9h)

Belo Horizonte - MG
Contato: Pollyana (31) 9312-7399- polly@partodoprincipio.com.br
PUC Minas Barreiro – a partir de 12 de maio (exposição de fotos) durante a III Semana da Enfermagem

Brasília - DF
Contato: Clarissa (61) 3201-0069 e 8139-0099 - clarissa@partodoprincipio.com.br
Shopping Páteo Brasil – 09 de maio – conversa com as mulheres sobre riscos das cesarianas
Associação Vivendo e Aprendendo – de 11 a 15 de maio
Centro Cultural de Brasília – 16 e 17 de maio

Curitiba- PR
Contato: Patrícia (41) 3336-1939 e 9113-6364 – patricia@partodoprincipio.com.br
Estúdio MM Áudio – a partir de 09 de maio

Garanhuns – PE
Contato: Juliana (87) 9104-5381juliana_coelho_ferra@hotmail.com ou Ilza (87... – ilza_rafa@hotmail.com
Livraria Casa Café – de 11 a 19 de maio

Juiz de Fora – MG
Contato: Soraya (32) 3226-2461 e 8838-3072 – smperobelli@gmail.com Centro de Diagnósticos CEDIMAGEM – de 11 a 17 de maio (exposição de fotos)

Maringá - PR
Contato: Patrícia (44)3025-3219 e 9927-7298 - patimerlin@partodoprincipio.com.br
Cliniprev – de 11 a 17 de maio (exposição de fotos)

Porto Alegre - RS
Contato: Alessandra (51)3028-8728 e 9685-2114 –alessandrakrause@partodoprincipio.com.br e Maria José (51...
Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo- www.cccev.com.br - de 11 a 16 de maio (Exposição de fotos)
Parque de Redenção – dia 16 de maio - Tenda com exposição de fotos e caminhada com grávidas e mães/pais com filhos.

Rio de Janeiro – RJ
Contato: Denise (21) 2222-6658 e 9797-1602 – denise@partodoprincipio.com.br
Livraria Largo das Letras – de 12 a 17 de maio

São Bernardo do Campo - SP
Contato: Denise (11) 9383-4429denise.niy@uol.com.br
Bruxa Banguela Rock Bar – Lançamento do livro Lembranças fecundas: meu diário afetivo da gravidez”, de Denise Yoshie Niy

São Paulo - SP
Contato: Roberta (11) 8208-2119 - roberta@partodoprincipio.com.br
Continental Shopping – de 08 a 27 de maio (exposição de fotos)
Faculdade de Saúde Pública – a partir de 11 de maio (exposição de fotos)


1 Dados da Agência Nacional de Saúde - 2001.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Curvas de crescimento por Dr. Carlos González

Os que estão com “baixo peso”

Em alguns casos, o problema não começa pelas mamadas “muito curtas”, mas pelo peso “muito baixo”. No mundo há pessoas de todos os tamanhos, e qualquer manhã, quando vamos comprar pão, cruzamos com pessoas que pesam 50 kg e outras que pesam 100 kg. Você realmente acha que essas pessoas pesavam o mesmo quando tinham 3 meses? Por que é tão difícil aceitar as diferenças no peso dos filhos?

Tenho um bebê de 3 meses que é amamentada. Até agora, ela vinha ganhando peso bem, 200 ou 250 g por semana. Duas semanas atrás, eu a levei ao pediatra e quando ele a pesou só tinha engordado 80 g. Ela nasceu com 3200 g e agora está com 5820 g. A pediatra recomendou uma “ajuda”, mas quando eu dou a mamadeira, ela recusa. Também comprei outros bicos, porque ela não aceita a chupeta, ela continua não aceitando, começa a chorar e passa até quatro ou cinco horas sem mamar no peito; tentei colocar no leite um pouco de papinha e dar com a colher, mas ela também não quer. Ela só quer saber de mamar. Mas eu não posso continuar assim, estou preocupada com saúde dela, pois não ganha quase peso e a pediatra diz que ela está abaixo da curva.

Abaixo de que curva? De acordo com os gráficos norte-americanos de desenvolvimento, o peso dessa menina está acima da média. Ela ganhou 2620 g em 3 meses, mais de 850 g por mês. A única medida que não está bem é a que mede a paciência da mãe. Quantas horas mais de angústia, quantas idas à farmácia para comprar novas mamadeiras e novos leites, apenas porque alguém interpretou mal um gráfico? Quantas mamadeiras um bebê terá de recusar para mostrar que ele não as quer?

Este exemplo ilustra dois problemas fundamentais: de um lado a interpretação generalizada dos gráficos; de outro, o ritmo de crescimento dos bebês amamentados.

O que é e para que serve um gráfico de peso?

Isto é um gráfico de peso. Totalmente inventado, não tente encaixar as medidas de seu filho nele! Está aqui apenas para explicar o que significam as linhas. Há diferentes gráficos de peso: os americanos (que são recomendados pela OMS para todo o mundo) e os de outros países que decidiram ter gráficos próprios para não ficarem para trás: franceses, ingleses, espanhóis... De qualquer forma, esses gráficos não são iguais e se um pediatra ou uma enfermeira nos lê poderia passar divertidas tardes de domingo comparando-os.



Os números da direita são chamados percentis. O percentil 75 significa que de cada 100 crianças saudáveis, 75 estão abaixo daquela curva e 25 estão acima. Em alguns gráficos, os percentis extremos são 95 e 5 e não 97 e 3.

Outros gráficos não usam percentis, mas médias e desvio padrão. Nesses gráficos aparecem, da base ao topo, cinco linhas que correspondem aos números -2, -1, média, +1, +2 do desvio padrão. Nós pediatras falamos com intimidade sobre esses gráficos, como se fossem parte da nossa família. Então, dizemos coisas como “a altura está em menos um, mas o peso em menos dois”. A propósito, dezesseis por cento das crianças saudáveis estarão abaixo do “menos 1”, enquanto que dois por cento estarão abaixo do “menos dois”.

Coloquei no nosso gráfico o peso de três bebês fictícios da mesma idade. Adela está com peso totalmente normal, embora apenas seis por cento das meninas nessa idade pesem mais. Ester, apesar de ter 1,5 kg a menos que Adela, também tem peso normal, mas 85 por cento das meninas da sua idade têm peso maior que o dela. Não há como dizer, de nenhuma forma, que Ester tem “baixo peso” ou com “a curva ruim””. É um erro comum querer que todas as crianças estejam acima da média. Metade das crianças, por definição, estará abaixo do percentil 50.

E Laura? Ela está abaixo da última curva e muitas vezes isso se interpreta com “está com baixo peso”. Mas atenção: a última linha é a do percentil 3; 3% das crianças saudáveis está abaixo. Essa linha não é uma fronteira que separa as crianças saudáveis das crianças doentes, mas um sinal que diz ao pediatra: “Cuidado, olhe bem a Laura porque provavelmente ela não tem nada, mas pode ser que esteja doente” Como o pediatra distinguirá esses 3% de crianças saudáveis que estão abaixo da linha dos que estão com pouco peso por causa de uma doença? Bem, para isso ele estudou medicina.

Eu tenho insistido muito que vinte e cinco por cento das crianças saudáveis estão abaixo do percentil 25. Porque o gráfico foi feito pesando muitas centenas ou milhares de crianças saudáveis.

Naturalmente, se um bebê nasce prematuro, com síndrome de Down, com alguma cardiopatia grave, ou foi internado durante semanas por causa de uma tremenda diarréia, seu peso já não se usa para calcular a média dos gráficos de peso normal Pela mesma razão, se o seu bebê tem algum desses problemas ou outros similares, seu peso provavelmente não irá se encaixar nesses gráficos. O fato de uma criança com doença crônica (ou que recentemente teve alguma doença aguda) estar com “baixo peso” não é por não comer, mas porque esteve doente. Forçá-lo a comer não vai ajudar a curá-lo; vai apenas fazê-lo sofrer e vomitar.

Agora, adicionamos ao gráfico imaginário mais dois pesos de meninas imaginárias. No topo está a Tâmara; seu peso, como você pode ver, está entre os percentis 90 e 97. Muitos irão dizer que ela está "seguindo a curva".



A linha mais abaixo mostra o peso de Marta. Vemos que num determinado momento ela ultrapassou o percentil 50, mas depois ela se aproximou do percentil 10. O que houve com Marta? Provavelmente nada. Claro que se a curva se modificar muito rápida ou abruptamente (de forma muito íngreme), o pediatra deveria olhá-la com carinho para ter certeza de que não há nenhum problema. Mas provavelmente não irá encontrar nada. Simplesmente, porque gráficos de peso não são caminhos para serem seguidos, mas representações matemáticas de um complexo sistema de estatísticas. As curvas e os percentis correspondentes não representam o ganho de peso de uma criança em particular e o ganho de peso de uma criança não tem que seguir nenhuma dessas linhas. O próximo gráfico ilustrará melhor.



Com o propósito de colocar nossa marquinha na história da pediatria, ao invés de usar um gráfico americano ou espanhol, decidi usar um gráfico próprio (o primeiro gráfico virtual, uma vez que foram usados somente pesos de bebês fictícios). Começamos pesando duas meninas durante o primeiro ano e obtivemos as duas linhas grossas.

Calculamos a média dessas duas meninas e obtivemos a linha mais fina que está no meio. Uma dessas meninas começou acima da média e depois passou a ficar abaixo, a outra começou abaixo e depois subiu. Nenhuma delas seguiu a média. Deveríamos dizer que essas meninas têm problemas nutricionais por não terem "seguido a curva"? Claro que não. A média é que não segue a "curva" dessas meninas.

Claro que gráficos de peso não são desenvolvidos usando apenas duas meninas, mas centenas. Pode imaginar como as coisas podem se complicar?

O crescimento de crianças de peito

O ganho de peso de Marta, que vimos acima, é bem típico de bebês que mamam no peito. Os gráficos de peso mais comuns foram desenvolvidos há alguns anos, quando muitos bebês tomavam mamadeira, e os que mamavam no peito o faziam só por umas semanas. Atualmente, mais e mais bebês são amamentados durante meses e eles não seguem os antigos gráficos. Vários estudos (1,2) feitos nos EUA, Canadá e Europa mostram que bebês amamentados geralmente ganham peso mais rápido no primeiro mês do que mostram os gráficos, mas depois eles começam a perder velocidade e vão baixando de percentil. Por volta de seis meses eles perdem a liderança que obtiveram com o ganho de peso no primeiro ano, e mantêm até 1 ano um peso "baixo" de acordo com os gráficos antigos. Enquanto estou escrevendo esse livro, a OMS e o UNICEF estão preparando novos gráficos baseados em bebês amamentados, que logo substituirão aos antigos (eles devem estar prontos em 2004, embora já estejam atrasadas há anos) . Não se trata de fazer gráficos para bebês de peito e outros diferentes para crianças que tomam mamadeira; os mesmos gráficos serão usados para todos (3). Enquanto isso, muitas mães levarão grandes sustos, porque dirão quando seu bebê tiver dois ou três meses que ele está “caindo” de peso, ou aos oito ou nove meses que seu filho está com “baixo peso” Isso não é verdade, seu bebê está bem.

Por que o crescimento de um bebê amamentado é tão diferente de um que toma mamadeira? Não temos muita certeza, mas em todo caso, não é por falta de alimento. Durante o primeiro mês, quando só tomam leite, bebês amamentados pesam o mesmo ou mais. Entre seis e doze meses, quando tomam papinhas além do leite, bebês amamentados pesam um pouco menos. Se fosse verdade a frase "o peito já não sustenta" (o que é uma grande bobagem uma vez que o leite materno alimenta mais que a mamadeira e mais que as papinhas), a criança ficaria com fome e comeria mais papinha e consequentemente ganharia o mesmo peso do bebê de mamadeira. A diferença é mais profunda; por alguma razão, leites artificiais levam a um padrão de crescimento que não bate com o padrão de crescimento do bebê amamentado.

Na primeira edição deste livro, eu escrevi: "Nós não sabemos quais consequências pode ter esse crescimento excessivo". Agora já sabemos. Muitos estudos (4,5) demonstraram que bebês que foram amamentados por menos de seis meses têm taxas mais altas de obesidade e têm mais chances de apresentar sobrepeso e obesidade entre os 4 e os 6 anos.

Nem todas as crianças crescem no mesmo ritmo

Tenho uma filha de 8 meses e nos últimos 4 meses ela não ganhou peso, seu peso durante quatro meses é de 7.450 g e a altura aumentou pouco a pouco até os 71 cm que ela tem agora. O pediatra dela me disse que se ela não ganhar peso esse mês, vai solicitar exames de sangue, para ver se ela está com algum problema; se não é porque é inapetente e ponto.
Comer, come muito pouco. Ela recusa a colher e quando eu a forcei a comer com a colher, ela vomitou tudo. Continuo dando tudo com mamadeira: frutas, papinhas e cereais.

Certamente não é "normal" (no sentido de "comum") que um bebê não ganhe nada de peso entre 4 e 8 meses. Para descobrir se além de pouco comum é também patológico, , é preciso considerar outros dados, entre eles os exames que prudentemente pediu o pediatra para ter certeza que o bebê não está doente. Mas se nada for detectado, é melhor esperar pacientemente “é inapetente e ponto”. Especialmente nesse caso em que também não é comum pesar tanto aos quatro meses; ela estava praticamente no percentil 95. A altura aos aos oito é grande, mais que a média.

Todos os exames foram normais e aos 13 meses essa menina estava pesando 8 kg e continuava sem querer comer. Parece que ao invés de manter um lento e constante ganho de peso, ela ganhou todo seu peso nos primeiros 4 meses e depois parou de ganhar.

Existe um ritmo de crescimento especial que geralmente leva os pais à loucura, chama-se "atraso constitucional do crescimento ". É apenas uma variação do normal, não uma doença. São crianças que não seguem nenhum gráfico; elas têm a sua própria curva de crescimento. Elas nascem com peso normal e crescer normalmente durante uns meses. Mas em algum momento entre o terceiro e o sexto mês elas estacionam e começam a crescer lentamente, tanto em peso como em altura. Mas, isso sim, seu peso é adequado a sua altura. O pediatra pode pedir exames, mas tudo estará normal. Eles ficam no limite ou fora dos gráficos por dois anos, mas por volta dos dois ou três anos eles começarão a crescer mais rápido até atingir uma altura final completamente normal e são adultos de estatura mediana. Isso é uma característica hereditária e pode ser muito tranquilizante quando as avós finalmente admitem que o pai ou o tio "também era muito miúdo no início e o pediatra vivia dando vitaminas", mas no final de tudo ele cresceu. Veja um típico exemplo:

Minha filha tem dezoito meses e, felizmente, ainda mama no peito apesar dos comentários negativos de 99% das pessoas. O problema é que desde os 4 meses, quando eu voltei a trabalhar, ela não come bem. Ela começou a perder peso e agora está com 73,2 cm e 8.690 g. Ela fez exames e está tudo normal.

Aos dezoito meses, de acordo com os gráficos americanos antigos, uma meninas no percentil 5 deveria ter 8.920g e 76 cm. Entretanto, para uma menina de 73cm, o peso está acima do percentil 25. Ela foi ao endocrinologista e o hormônio do crescimento está normal. Então, tudo que se tem a fazer é esperar alguns anos.

Logicamente, uma criança que cresce tão devagar come ainda menos que as outras crianças.

(1) Dewey, K. G. et al. Growth of breast-fed infants deviates from current reference data: a pooled analysis of US, Canadian, and European data sets. Pediatrics 1995; 96: 495-503.
(2) WHO Working Group on Infant Growth. An Evaluation of Infant Growth. Document WHO/NUT/94.8, OMS, Geneva, 1994.
(3) Dewey, K. G. Growth patterns os breastfed infants and the current status of growth charts for infants. J Hum Lact 1998; 14: 89-92.
(4) Von Kries, R. et al. Breast feeding and obesity: cross sectional study. BMJ 1999; 319: 147-50.
(5) Grummer-Strawn, L. M. and Mei, Z. Does breastfeeding protect against pediatric overweight? Analysis of longitudinal data from the Centers for Disease Control and Prevetion Pediatric Nutrition Surveillance System. Pediatrics 2004; 113: ee81-86.

NOTA DO TRADUTOR: Os novos gráficos da OMS foram lançados em 2007.

Do livro Mi niño no me come de Carlos González

Tradução: Fernanda Hack e Luciana Freitas
Revisão: Luciana Freitas